sábado, 25 de outubro de 2008

E Fiquei sem meu azul....


2008 tem sido um ano de grandes extremos em minha vida.

Sinto as vezes que vivo numa montanha russa. E infelizmente hoje contabilizo que este é um ano de grandes perdas na minha vida.

Ontem perdi um companheiro de jornada. O considero assim porque Lui conviveu conosco 17 anos. E acho que só quem tem um animal de estimação e convive com ele no dia a dia, vai saber como é complicado quando o bichinho vai embora deste mundo. Lui sempre foi extremamente saudável, nunca foi um gato que entrava e saía de clínicas, como muitos que conheço. Era de uma doçura extrema. Tanta doçura que muitas pessoas que o conheciam sabiam que ele além da elegância habitual do felino, tinha também uma elegância extrema em dar carinho e se fazer presente.

Essa semana o coração do meu bichinho começou a falhar. E em 4 dias levou do nosso convívio nosso blue eyes. Ele estava internado desde quarta. Ontem teve uma parada e não consegui chegar a tempo na clínica para vê-lo com vida.

Passei ontem boa parte da tarde com meu bichinho nos braços, sentindo o calor do seu corpinho indo embora e tentando guardar na memória cada detalhe daquela criaturinha que conviveu conosco 17 anos. E foi uma despedida solitária e dolorida.

E é bem por aí que 2008 se desenha na minha vida.

Ano de conquistas, mas definitivamente ano de caminhar sozinha.

Ontem com o Lui no colo fiquei pensando onde erro na semeadura. Ontem quando saí correndo pelas ruas sozinha, ainda tentando ver meus olhos azuis abertos, disse a Deus que o peso do mundo nos meus ombros está começando a pesar um pouco além do que eu consigo suportar. E tenho medo que isso me torne uma pessoa dura demais, racional demais e independente demais.

Tenho medo que um dia eu não sinta mais falta da mão estendida, da palavra sincera de apoio e da mão no ombro nos momentos ruins.

Hoje não tenho isso.

Hoje trabalho sozinha, sonho sozinha, caminho sozinha, luto sozinha e enfrento tudo que posso extremamente sozinha.

Ontem foi um dos dias mais solitários de minha vida. Um daqueles para guardar no baú das lembranças tristes.

Tomara que ele tenha sido, senão o último, pelo menos um dos poucos que eu não tive a quem recorrer...

Um dia a tristeza passa. Quem sabe?

Hoje definitivamente não.

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